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Candidatos à Presidência no Brasil usam discurso contra as bets sem conhecer a dinâmica do setor e sua importância para a economia

| By Gildo Mazza
Mostrando desconhecimento sobre o setor ou agindo de má fé para se aproximar de eleitores conservadores, políticos elegem casas de apostas como bode expiatório sem levar a sério os benefícios da arrecadação de impostos que a atividade gera.
campanha eleitoral bets Brasil

A campanha eleitoral no Brasil colocou as bets no centro das discussões. Tanto candidatos à Presidência quanto alguns que disputam governos estaduais, tornaram rotina as críticas ao setor. O presidente Lula, que busca a reeleição, iniciou sua narrativa contra as bets no começo do ano. De olho nos eleitores evangélicos, desfiou inúmeras críticas às casas de apostas. Mal a campanha começou, seguiu com as perseguições. E seus oponentes estão fazendo o mesmo, em menor ou maior grau.

Movidos por pesquisas que apontam o impacto financeiro nas famílias, os candidatos à Presidência adotaram discursos que vão do fim das bets no Brasil à taxação agressiva do setor e regras mais duras. Ainda pregam o aumento do vício em apostas para se posicionarem contra a atividade.

Durante as sabatinas realizadas pela Rede Globo com os candidatos à Presidência, o tema das bets gerou posicionamentos divergentes, variando entre a proibição total e o aumento severo da tributação.

Nanicos falam sem conhecimento

Os quatro principais candidatos nanicos foram mais incisivos contra as bets. Somadas as intenções de votos, não alcançam 10% no primeiro turno.

Romeu Zema: Defendeu a proibição total das apostas no Brasil. Ele afirmou que seu primeiro ato como presidente será “acabar com as bets”. Zema classificou o setor como uma “praga” e um “câncer” que afeta a renda e a economia do Brasil. Durante entrevista à CBN, apareceu com uma camiseta com a inscrição “Chega de Bets”. O candidato nanico tem apenas 1% das intenções de voto segundo pesquisas. Ele só se esqueceu que para acabar com uma atividade econômica regulada depende do Congresso Nacional.

Augusto Cury: Propôs elevar a tributação sobre as empresas de apostas para cerca de 52%. Para o candidato, essa porcentagem parece “razoável” e o montante seria fundamental para ajudar a equilibrar as contas públicas do país. Ele argumenta que os recursos deveriam ser redirecionados para áreas cruciais, como saúde pública e segurança. Como pouco conhece o setor, o autor de livros de autoajuda disse ser um absurdo as bets pagarem “apenas 12%”. Seus assessores não o ajudaram e não o informaram que além dos 13% (e não 12%) de taxa direta sobre o GGR, as operadoras pagam os demais impostos. Assim como qualquer empresa brasileira. Defendeu uma abordagem regulatória e fiscal rígida.

Renan Santos: Afirmou categoricamente que as bets “serão destruídas” em seu governo. O candidato nanico (3% das intenções de votos) comparou a dependência em apostas a uma “droga pior do que o crack”. Ele defende que a extinção das plataformas é essencial para frear o endividamento e proteger o salário das famílias. Ele também critica o uso de influenciadores para promover cassinos digitais a pessoas de baixa renda.

Ronaldo Caiado: Não propôs o fim das bets, mas defendeu a aplicação de uma “mão pesada” com duras restrições à propaganda. Para ele, todo tipo de publicidade deveria ser proibido. O candidato defende um teto de gastos para apostadores. Segundo ele, o país precisa de um “freio de arrumação absoluto”, pois o endividamento e a dependência do jogo estão tirando o dinheiro que a população usaria até mesmo para itens básicos, como a cesta básica. O candidato continua derrapando na faixa de 5% das intenções de voto.

Defensores de alta taxação e regulação

Os demais candidatos à Presidência mais bem posicionados nas pesquisas, como o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, têm sido criticados por adversários por adotarem uma postura mais reservada ou por não entrarem em detalhes profundos sobre propostas de extinção das plataformas durante as sabatinas.

Mesmo assim, os dois se acusam pela disseminação das casas de apostas. Lula aponta irresponsabilidade de Jair Bolsonaro por não regular a atividade e deixar as bets operando durante todo seu governo sem recolher impostos. Segundo Lula, a não regulação permitiu o crescimento do número de sites de apostas. O setor só foi regulamentado no governo do petista e o filho do ex-presidente o acusa de ter dado espaço para o crescimento das bets. Na verdade, não deu espaço para o crescimento. O governo Lula regulou o setor e foi capaz de bloquear quase 60 mil sites clandestinos. Além disso, trouxe o segmento para a formalidade e passou a arrecadar impostos da atividade.

Em seu plano de governo, Lula trata as apostas como questão de saúde, proteção do consumidor e prevenção ao superendividamento. O candidato propõe manter mecanismos de monitoramento e controle de gastos excessivos nas plataformas de apostas e aprimorar as regras para a concessão de crédito pelas instituições financeiras. A intenção é evitar que apostadores comprometam a renda e acabem endividados.

Na área da saúde, o plano prevê ampliar a atuação de profissionais e estratégias da rede de saúde mental do Sistema Único de Saúde. Estão incluídos os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), para atender pessoas que desenvolvam problemas relacionados às apostas.

Mesmo atacando as bets diariamente, seu programa de governo trata o setor como uma atividade consolidada.

Seu principal oponente defende a proibição das apostas por beneficiários de programas sociais. Ninguém deve ter dito ao Flávio que a medida já foi implementada pelo governo. Seu plano prevê utilizar a estrutura da Caixa Econômica Federal para oferecer orientação financeira e promover campanhas educativas sobre os riscos do endividamento provocado pelas apostas.