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Bets se manifestam em placas de publicidade no Brasileirão contra MP que proíbe mercado de apostas

| By Gildo Mazza
Publicidade em campo manda mensagem de que “A proibição não acaba com as apostas” e “Proibir não é proteger”
Bets manifestação estádios proibição

As bets legalizadas foram aos estádios do Brasileirão em uma manifestação conjunta para transmitir mensagens sobre as consequências da proibição das apostas no país. Nas partidas desta sexta (2) e sábado (3), empresas associadas à Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) cederam espaço nas placas ao redor do campo para exibir as frases.

A ação acontece em função da Medida Provisória 1.394, que proibiu as bets legalizadas do país. Ela faz referência ao manifesto divulgado em 25 de setembro, com o lema “Proibir não é Proteger”. A manifestação defende que a proibição não acaba com as apostas no país, mas sim com a proteção de quem aposta.

As placas exibiram as seguintes frases:

  • Proibir não é proteger
  • A proibição não acaba com as apostas

As mensagens foram exibidas durante as partidas entre São Paulo e Santos, na sexta, e  Atlético-MG e Bragantino, no sábado. Os clubes estão entre os vários impactados pela decisão do governo federal. A Medida Provisória afeta não só os compromissos já firmados, mas também o planejamento das próximas temporadas, a negociação e renovação de patrocínios e a previsibilidade de investimentos no esporte.

“Para ANJL e o IBJR, a manutenção de um ambiente regulado, com regras claras e segurança jurídica, é fundamental para que clubes, empresas e demais agentes da cadeia esportiva possam planejar seus investimentos de longo prazo”, disse Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL.

Carlos Lima, presidente do IBJR, destaca que a discussão também envolve a previsibilidade de um mercado estruturado a partir de autorizações concedidas pelo próprio Estado. “Para as entidades, eventuais mudanças devem considerar os efeitos sobre essa cadeia e preservar a segurança jurídica necessária para que empresas, clubes e demais parceiros possam planejar investimentos e cumprir compromissos assumidos”, afirmou Lima.

O manifesto

Assinado por ANJL e IBJR ao lado das operadoras licenciadas do Brasil, o manifesto defende que a proibição não acaba com as apostas no país, mas acaba com a proteção ao apostador.

Segundo o Ministério da Fazenda, 31 milhões de pessoas estavam ativas nas plataformas legalizadas e a grande maioria apostava de forma recreativa e responsável. Desde a edição da MP, em 25 de setembro, o mercado ilegal tomou conta do Brasil. O manifesto, portanto, reforça o alerta de que as apostas devem ser legalizadas, pelo bem não só de quem aposta, mas de toda a sociedade brasileira.

O documento alerta para o avanço do mercado clandestino, explorado pelo crime organizado para aplicar golpes contra os mais vulneráveis. Segundo dados da Legitbet, plataforma oficial de monitoramento da ANJL, entre 22 e 28 de setembro 6.401 novos sites ilegais foram confirmados. Além disso, 811 links para essas plataformas foram identificados nos canais monitorados.

Antes da proibição, o mercado ilegal já respondia por 41% do volume apostado no país. Agora, as entidades projetam que esse número chegue a 100%. A consultoria LCA estima que até R$ 73 bilhões em arrecadação estariam em risco entre 2027 e 2030, caso toda a demanda migre para operadores ilegais.

A ANJL e IBJR reforçam sua preocupação com o endividamento das famílias e com o jogo problemático. Para as entidades, quem tem as melhores condições de enfrentar o problema é um mercado altamente regulado.

Por isso, se colocam à disposição para discutir limites de depósito e de tempo, regras mais rígidas de publicidade, cuidado com a saúde mental e mais rigor no combate aos sites ilegais, medidas que não podem ser exigidas de quem opera na clandestinidade. Para elas, proibir não protege o apostador: apenas o empurra para ambientes sem fiscalização.