Clubes de futebol pedem um ano de transição ao STF para o fim das bets
O fim das bets não causou impactos apenas nas casas de apostas. Os clubes de futebol sabem dos riscos de perdas bilionárias em suas receitas e alguns já estão defendendo seus interesses no Supremo Tribunal Federal (STF). O Flamengo foi o primeiro a pedir ingresso em três Ações Diretas de Inconstitucionalidade que trata do tema. O Botafogo, foi na sequência e pediu para ser aceito como amicus curiae em uma ADI. São Paulo, Ponte Preta, Vitória, Guaraní e Portuguesa pediram o mesmo, em duas ADIs.
Aos poucos, o futebol brasileiro está reagindo à Medida Provisória 1.394 assinada pelo presidente Lula que proíbe as bets. Sob o risco de perderem receitas bilionárias e a rescisão de contratos de patrocínio, sete clubes já bateram à porta do Supremo Tribunal Federal.
Na semana posterior à edição da MP, o Flamengo foi o primeiro a ingressar no STF. O clube tem acordo com a Betano, que rende anualmente R$ 268 milhões. A agremiação estima uma perda orçamentária de até R$ 430 milhões para 2027. Luiz Fux, relator das matérias no STF, deferiu o pedido do Mengão.
O Botafogo também pediu ingresso em uma ADI alegando que o fim das bets “”compromete severamente as receitas de patrocínio essenciais para o fomento do esporte nacional”. O clube tem contrato até o fim de 2027 com a Vbet, cujo valor alcança os R$ 55 milhões.
Até quem não tem bet na camisa foi ao STF
Além deles, São Paulo, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa também ingressaram com pedidos de entrada como amici curiae nas ADIs 8027 e 7721. Os clubes argumentam que o fim das bets provoca impactos sobre contratos de patrocínio e planejamento financeiro das equipes. Eles também pedem a suspensão dos efeitos da MP das Bets e a criação de um período de transição.
O São Paulo mantém contrato com a Superbet, que vence apenas em 2030. Segundo o clube, ainda existem cerca de 15 mil camisas com a marca da bet, o que seria um prejuízo para o Tricolor Paulista.
O Vitória já recebeu uma notificação da 7K suspendendo o patrocínio, que iria até 2027. Guarani, Ponte e Portuguesa não possuem acordo com bets mas defendem que a proibição impede que os clubes busquem novos patrocinadores.