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Lula abandona discurso de proibição das bets em sua campanha de segundo turno

| By Gildo Mazza
Presidente praticamente abandona o discurso de que as apostas comprometem as finanças familiares, numa demonstração de que entendeu o efeito negativo da proibição.
Proibição bets Lula eleição

A proibição das bets no Brasil foi o principal tema de Lula no primeiro turno para conquistar votos, especialmente de evangélicos. Entretanto, nem isso garantiu ao presidente ganhar a eleição. Pior, acabou ficando em segundo lugar na disputa presidencial, uma desvantagem de 2 milhões de votos para seu concorrente. A Folha de S.Paulo analisou 46 vídeos no canal de Lula no YouTube e identificou que a citação das bets caiu de 11 para quatro entre o 1º e o 2º turno. O presidente também evitou falar do impacto da MP 1.394 nas finanças dos clubes de futebol.

Este cenário foi identificado pela Folha ao analisar os vídeos da campanha de Lula no YouTube. O presidente centrou críticas às bets no primeiro turno, com 11 citações contra a atividade. Falou sobre o tema em todos os vídeos de seu canal de campanha. Já no segundo turno, falou apenas quatro vezes. A própria campanha do candidato percebeu que o discurso não trouxe o que presidente esperava. Nem mesmo no debate na TV Band o presidente mencionou as bets quando o tema apresentado foi o endividamento da população.

Exageros e educação esquecida

A palavra bet ocupou de forma exagerada os discursos do presidente-candidato. Foi a oitava mais dita em setembro, atrás de temas históricos do PT, como saúde e moradia. O excesso foi tão grande que o tema educação, também sensível ao PT, foi esquecido por Lula.

Até mesmo a primeira-dama, Janja da Silva, admitiu que a campanha para proibição das bets não provocaram o impacto eleitoral esperado por Lula. Ela chegou a chorar ao admitir que esperava pela vitória no primeiro turno da eleição por causa da iniciativa.

Ainda durante a campanha de primeiro turno, o presidente chegou a entrar em embate direto com clubes de futebol. Afetados pelo fim dos patrocínios, os times passaram a enfrentar dificuldades financeiras e Lula menosprezou o resultado da proibição das bets.

Títulos sem bets

No dia em que apresentou a Medida Provisória 1.394, Lula lembrou que o Brasil ganhou cinco Copas do Mundo antes da legalização do iGaming. Ele só não comentou o fato de a CBF não ter patrocinadores em suas camisas de jogos. No uniforme oficial, são estampadas apenas o escudo da CBF e o logo do fornecedor das camisas.

Lula chegou a citar times campeões do mundo, como Flamengo, São Paulo, Grêmio e Corinthians. Disse que nenhum deles tinha patrocínio de bets. Não tinham por que na época das campanhas o mercado era outro e as bets nem existiam. Desde a legalização das bets, nenhum clube brasileiro foi campeão, apenas times europeus.

Boulos admite dificuldades dos clubes

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, se reuniu com 35 representantes de torcidas organizadas nesta segunda (19). O encontro foi convocado para se discutir o cenário do futebol sem as bets.

No encontro, em São Paulo, Boulos admitiu dificuldades financeiras dos clubes com a proibição das bets. Para acalmar as organizadas, o ministro garantiu que o governo estuda alternativas para diminuir os impactos financeiros para os clubes. Não apresentou nada de concreto, mas conquistou apoio dos presentes à reeleição de Lula.

Ministro do Planejamento atento às perdas

Ao jornal Valor, do Grupo Globo, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti admitiu preocupação com o orçamento de 2027 com a proibição das bets. Em sua entrevista, apontou que mais de R$ 5 bilhões deixarão de entrar aos cofres públicos no próximo ano. Esse valor corresponde ao imposto direto sobre o GGR. Por esta razão, disse que cortes serão feitos para minimizar as perdas. Entretanto, esses R$ 5 bi não farão falta direta ao governo, mas sim aos beneficiários definidos pela Lei das Bets. Entre eles o esporte, turismo, segurança e saúde.

Farão falta, sim, os R$ 15 bilhões previstos para 2026, de recolhimento de impostos do setor, como IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuição previdenciária. Em 2025, entraram para os cofres públicos R$ 9,95 bilhões desses impostos.