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Mateo Lenoble: proibição das bets interrompe o avanço das empresas do setor e compromete a integridade esportiva

| By Gildo Mazza
Diretor LatAm da Kambi avalia que a MP 1.394 impõe um freio no crescimento sustentável das apostas esportivas e amplia os riscos de match-fixing pela falta de condições de o governo combater o mercado ilegal.
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Em entrevista exclusiva ao iGaming Business, Mateo Lenoble avalia que a proibição das operadoras de apostas interrompe o progresso e mina a confiança no Brasil. Segundo o diretor da Kambi para a América Latina, mesmo uma retomada rápida das operações não eliminaria a insegurança jurídica gerada por essa medida de proibir as bets. Além disso, Lenoble alerta que a ausência de regras claras e de uma regulamentação consistente traz riscos à integridade esportiva. 

Sobre integridade esportiva, o executivo sustenta que além de regras rígidas, a fiscalização fortalece o combate ao jogo ilegal e à manipulação de resultados. Sem um ambiente regulado, afirma, apostadores tendem a migrar para plataformas clandestinas. Com isso, governo e reguladores perdem capacidade de controle — cenário que amplia os riscos ao esporte. A Kambi, uma das maiores fornecedoras de tecnologia para apostas esportivas do mundo, oferece aos seus clientes uma poderosa rede de dados, expertise em gestão de apostas (trading) e vasta experiência na operação em mercados regulamentados.

iGaming Business – O Brasil está passando por uma fase muito difícil, com a proibição das bets. Como isso impacta os planos de crescimento da Kambi no país?

Mateo Lenoble – Isso certamente nos afeta, pois trabalhamos somente em mercados regulados. A Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil causa um transtorno nos projetos que vínhamos desenvolvendo no país.

iGB – Mesmo que a atividade volte, há riscos de insegurança jurídica para novos investimentos da Kambi no país?

ML – Durante o SBC Summit, em Lisboa, falei bastante sobre a possibilidade de um retorno das operadoras de apostas. O mercado é extremamente atraente e está entre os maiores do mundo. A Kambi estaria aberta a retornar, sob um novo marco regulatório, e a apoiar parceiros que decidam entrar ou retornar ao Brasil.

Acredito que a incerteza em torno do país ainda persistirá por algum tempo. Se uma violação das normas de um mercado regulado pôde ocorrer uma vez, ela pode, potencialmente, voltar a acontecer. 

iGB – A Kambi não tem tantos operadores parceiros. Mas são relevantes para a companhia?

ML – Temos clientes-chave no país que, até a publicação da Medida Provisória, utilizavam nossa plataforma completa de apostas esportivas. Eles estão sofrendo com a edição da MP e estamos apoiando cada um deles até que uma decisão definitiva ocorra. Alguns estão sofrendo ainda mais, pois operam apenas no país, enquanto outros atuam em outras jurisdições e ainda têm algum fôlego. Queremos continuar investindo e desenvolvendo o mercado brasileiro, mas só o tempo dirá como isso ocorrerá.

iGB – Como um profundo conhecedor do tema integridade esportiva, você acredita que o fim das bets pode provocar o aumento dos casos de manipulação?

ML – O mercado regulamentado ajuda a combater a manipulação dos jogos e a garantir integridade esportiva. Por esta razão, sempre defendemos a importância da regulação. Somente no mercado regulado e com regras claras essas práticas podem ser combatidas.

iGB – A Kambi mantém parcerias com grandes empresas globais de combate à manipulação de resultados?

ML – Temos parcerias para o combate à manipulação de resultados e, junto com muitos de nossos parceiros, somos membros da International Betting Integrity Association – IBIA (Associação Internacional de Integridade em Apostas). Além disso, temos um departamento próprio de integridade para proteger nossos clientes. Fazemos um trabalho muito sério neste sentido para garantir que os clientes ofereçam aos seus apostadores o que há de melhor e mais seguro em apostas esportivas.

iGB – Com a proibição das bets, os apostadores migrarão para o mercado ilegal. Isso vai comprometer o esporte?

ML – Como falei, com o setor regulamentado e com regras claras é muito mais fácil combater o jogo ilegal. Quando o mercado não é regulado, o governo e o órgão regulador perdem seu poder e sua capacidade de fiscalização. Com isso, não conseguem implementar as salvaguardas necessárias. Há, sim, riscos de comprometimento da integridade esportiva.