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Bets se reúnem para preparar estratégia à MP de Lula que proibiu apostas no Brasil

| By Gildo Mazza
Executivos e advogados das empresas de apostas decidiram agir em conjunto no Supremo Tribunal Federal para reverter medida eleitoreira de Lula. Pedido de liminar deve ser apresentado até esta terça (29).
Estratégias das bets contra MP

Quase 200 dirigentes e advogados de bets e de empresas do ecossistema de apostas se reuniram no final da tarde de sexta (25) para acompanhar e definir estratégias contra a MP que proibiu a atividade no Brasil. Na reunião virtual que durou mais de seis horas, eles decidiram agir em conjunto para tentar reverter a decisão. Em vez de apresentarem ações na Justiça individualmente, farão isso de forma coordenada e em bloco.

A decisão levou em conta que apresentar ações separadas pode dificultar a atuação frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que se sobrecarregaria de pedidos com objetivos semelhantes, mas não com os mesmos argumentos.

Os participantes ainda estão analisando ponto a ponto a Medida Provisória 1.394, que proibiu as bets. O objetivo é identificar falhas na redação e aspectos constitucionais que são passíveis de contestação na Justiça.

Consenso

Após discussões sobre as possibilidades, o grupo chegou ao consenso de que todas as operações deveriam ser interrompidas imediatamente. Uma das razões foi evitar o combate à proibição com uma desobediência que poderia comprometer a atuação em conjunto.

Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) foi um dos defensores de união e obediência à MP. Segundo ele, o setor como um todo irá agir em duas trincheiras, a jurídica e a política. Os advogados estão analisando cada detalhe da Medida Provisória e pontos da Constituição para encontrar as principais fraquezas da decisão de Lula de acabar com as bets. Com poucos e bons interlocutores no Congresso, o grupo definirá ações junto à base política que entende o setor como uma atividade econômica e de entretenimento.

Apesar de ter efeito imediato, a MP precisa ser votada e aprovada no Congresso para se manter definitivamente. O grupo irá acompanhar as movimentações em Brasília e só partirá para a trincheira política após o primeiro turno. Já a via jurídica será implementada de imediato. A ideia é acionar o STF por violação a liberdade econômica de uma atividade que foi regulada pelo próprio governo. Insegurança jurídica e constatação de que os apostadores migrarão para o mercado ilegal também serão argumentos do grupo.

AGU descarta risco jurídico

Jorge Messias, advogado-geral da União, afirmou que a MP foi analisada e não há qualquer risco jurídico. “Todos os aspectos da medida provisória adotada foram rigorosamente validados sob a ótica jurídica pela AGU”, disse à CNN Brasil. “Diante disso, mantemos a total tranquilidade e nos encontramos plenamente preparados para responder a quaisquer questionamentos que possam surgir”, completou.