Kalshi anuncia a entrada no mercado de previsões do Brasil no primeiro lançamento fora dos EUA
A Kalshi anunciou o lançamento da sua oferta de mercado de previsões no Brasil por meio de uma parceria estratégica com a corretora brasileira XP International.
A mudança, anunciada na segunda-feira, marca o mercado inaugural da Kalshi fora dos EUA, bem como o primeiro mercado de previsões no Brasil.
Através da parceria, os clientes da marca Clear Corretora, pertencente à XP, detentores de uma conta de investimento internacional terão acesso à oferta da Kalshi, permitindo que os investidores negociem contratos em eventos do mundo real.
De acordo com a Kalshi, o foco inicial será nos eventos financeiros e econômicos. Nos EUA, o operador também oferece contratos em eventos como esportivos e entretenimento.
A co-fundadora da Kalshi e brasileira Luana Lopes Lara disse em dezembro que a empresa tinha planos de estrear no Brasil, afirmando que esperava anunciar a mudança no início de 2026.
Com a entrada agora anunciada, Luana expressou o seu prazer, dizendo: “Como brasileira, estou muito contente que a XP é a primeira corretora da Kalshi fora dos EUA.
A XP é uma das maiores instituições financeiras do Brasil. Expandir os mercados de previsão para o Brasil é um passo importante para proporcionar a mais pessoas em todo o mundo acesso a mercados justos, seguros e regulados.”
Kalshi estreia o mercado de previsões no Brasil
Com o anúncio de segunda-feira, a Kalshi tornou-se a primeira operadora de mercado de previsões a entrar em operação no Brasil.
Em fevereiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou a operadora de bolsa de valores brasileira B3 a se tornar a primeira operadora de mercado de previsões no Brasil.
Mas, como o BNL Data havia informado que a previsão de entrada da B3 seria até o final de março, a Kalshi deu largada antes.
O Brasil ainda não tem um quadro regulamentar formal que rege os mercados de previsões, estando os operadores licenciados sujeitos a uma regulamentação rigorosa desde a oficialização do mercado legal online em 1º de janeiro do ano passado.
Os operadores de apostas com probabilidades fixas licenciados devem ter uma sede no Brasil e aderir a requisitos rigorosos de certificação e KYC (Conheça Seu Cliente, na sigla em inglês).
Além disso, os operadores licenciados precisam desembolsar uma taxa de licença de R$ 30 milhões (US$ 5,8 milhões) e uma carga fiscal pesada.
André Santa Ritta, sócio da Pinheiro Neto Advogados, disse à iGB na ICE Barcelona que via as previsões de mercado como mais um momento turbulento para o setor de apostas brasileiro.
“No Brasil, você tem esta zona cinzenta regulatória na qual ainda não sabemos onde colocar a indústria de mercado de previsões, porque não se trata de iGaming e não se enquadra na indústria de apostas de probabilidades fixas”, disse André.
“Não temos regulamentos dizendo que é um tipo de derivado, que é como regulam nos EUA, então no Brasil o mercado de previsões ainda está em uma zona cinzenta, o que significa que existem muitas oportunidades para pessoas dispostas a assumir os riscos e, ao mesmo tempo, aproveitar os consumidores da indústria regulada de iGaming.
Acho que as pessoas que apostam não são necessariamente as mesmas que estão comprando contratos no mercado de previsões, mas às vezes há esta sobreposição. É por isso que estão compentindo uns com os outros de alguma forma. É outro desafio”.
