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Receita Federal informa arrecadação de R$ 9 bilhões com bets em 2025 e deputados cobram transparência dos gastos pelo governo

| By Gildo Mazza
Comissão da Câmara recebe subsecretário para debater receita gerada pelas apostas esportivas e jogos online e pede mais clareza na destinação das receitas do setor para as diversas áreas beneficiadas pela atividade.

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara debateu nesta quarta(20) a transparência na arrecadação de impostos das bets. O subsecretário de Arrecadação, Cadastro e Atendimento da Receita Federal, Gustavo Andrade Manrique, informou na reunião que o governo arrecadou R$ 9 bilhões em impostos sobre apostas esportivas no ano passado. Quinze por cento do faturamento líquido das empresas do setor vão para os cofres públicos.

Segundo o subsecretário, apenas entre janeiro e abril deste ano a arrecadação chegou a R$ 3,1 bilhões, recursos que são destinados a políticas públicas.

“Há toda uma destinação em relação ao produto dessa arrecadação, seja para saúde, seja para turismo, seja para segurança”, afirmou.

Ele disse ainda que a Receita identificou 22 empresas que não recolhiam impostos no ano passado. Juntas, elas deviam R$ 111 milhões, mas a situação foi regularizada ainda no segundo semestre de 2025.

Endividamento

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, alertou para o endividamento de mais de 80% das famílias.

Para ele, o crescimento do mercado de apostas coincide com o aumento do endividamento e da inadimplência, especialmente entre consumidores mais vulneráveis. “Para cada 10% de aumento nos gastos com apostas online, a gente tem meio dia de atraso nas dívidas das pessoas”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira de Jogos (Abrajogo), Witoldo Hendrich, contestou a relação direta entre apostas e endividamento. Segundo ele, parte do dinheiro apostado retorna aos vencedores. “Quem aposta em jogos esportivos recebe, além do entretenimento, parte do dinheiro investido”, disse.

Witoldo Hendrich, presidente da abrajogo – fotos: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Hendrich citou dados do Serasa para afirmar que o perfil dos inadimplentes não corresponde ao principal público das plataformas de apostas.

Manifestação destemperada

Durante a audiência, como era de se esperar, várias críticas às bets. A mais contundente foi contra um participante do debate. O deputado Luiz Carlos Hauly fez um discurso inflamado e hostil direcionando a Witoldo.

Hauly afirmou ter visto “pela primeira vez na casa um defensor da jogatina do azar”. Ele classificou a participação de Witoldo como um papel “horrível”. Acusou-o de tentar confundir os números estatísticos do IBGE de pesquisas sérias.

O deputado chegou a fazer uma analogia com Mao Tsé-Tung, lembrando que o líder chinês eliminou milhares de advogados chamando os advogados da indústria de “cães da sociedade”.

Durante sua destemperada participação, ele chamou o mercado de apostas de “desgraça” e “maldição que se abateu sobre o Brasil”. Ele referiu-se aos operadores como “malditos” e defendeu projetos para extinguir o setor no país.

Impactos na saúde

O presidente da CFT, deputado Merlong Solano (PT-PI), afirmou que o avanço das apostas levanta questionamentos sobre os impactos da atividade.

Segundo ele, há preocupação com possíveis efeitos das apostas sobre a saúde, como aumento do vício, ansiedade e depressão.

“Tem gente que fala em proibir. E tem quem fale em aumentar as alíquotas para que elas gerem um resultado fiscal melhor para o país”, declarou.

O deputado Paulo Guedes (PT-MG) afirmou ser necessária nova audiência para discutir outros pontos relacionados à tributação das apostas online.

A atividade foi legalizada pela Lei 13.756/18. As regras para o funcionamento do setor e para a tributação foram estabelecidas pela Lei 14.790/23.