Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil após perder eleição para Lula por eventual sociedade oculta em bet
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o candidato derrotado Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes (comum e diplomático). Além disso, proibiu que o senador deixasse o país. As medidas foram tomadas a pedido da Polícia Federal no âmbito de investigações de crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele teria uma sociedade oculta em casas de apostas utilizadas para os crimes financeiros com o advogado Willer Tomaz, também investigado. E nesta terça (27) seus aliados foram avisados que o candidato fugiu e está a caminho dos Estados Unidos.
Ambos, de acordo com as investigações, eram usuário máster de uma conta no banco Santander. Os dois desmentiram essas informações, mas a PF identificou uma mensagem do advogado pedindo ao banco que excluísse Flávio Bolsonaro da credencial de usuário máster.
Willer é acionista majoritário da empresa Cathedral Holdings, com sede em Portugal. Ela é a única acionista da Rede Loto, empresa que controla a BestBet e outras duas marcas licenciada no Rio de Janeiro. Uma reportagem da revista Piauí revelou que Flávio foi sócio oculto das casas de apostas.
As bets operaram por quase dois anos e tiveram receita pouco acima de R$ 360 mil, algo inexplicável no mercado brasileiro de apostas. A empresa pagou a outorga fluminense, de R$ 5 milhões, não fez campanhas publicitárias nem qualquer ação comercial. Ao mesmo tempo, Willer Tomaz, movimentou mais de R$ 10 bilhões em apostas esportivas na Blaze. Ele foi identificado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) como o maior apostador do Brasil.
Flávio também e acusado pela Polícia Federal por práticas de crimes financeiros relacionados ao financiamento da produção de filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente condenado por tentativa de golpe Jair Bolsonaro.
Informações apontam fuga
Segundo o UOL, aliados do candidato derrotado foram avisados de que ele estaria em voo aos Estados Unidos. Uma fonte dos EUA próxima à administração Trump e à família de Flávio afirmou que está “ciente da partida”. Oficialmente, o Departamento de Estado não se manifestou. Mas segundo a imprensa brasileira, o governo Trump concederá asilo ao senador do PL.
Diante das informações divulgadas desde o começo da manhã e pelo fato de o candidato derrotado não ter entregado os passaportes até às 11 horas desta terça (27), a PF cancelou-os e comunicou a ação administrativa ao ministro Alexandre de Moraes.
As primeiras informações sobre a fuga foram divulgadas por um site de notícias da Argentina. Ele apontou que o senador teria cruzado a fronteira com a Argentina com seu RG. E que de lá iria embarcar de Puerto Iguazú para os Estados Unidos.
Ele teria atravessado a pé a ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (Paraná) a Puerto Iguazú (Missiones-Argentina). O avião permaneceu no aeroporto e não teria decolado por ainda faltar uma pessoa para embarcar. Não se sabe quem é o passageiro faltante nem como ele estaria voando para os EUA, como anunciou o UOL. Não houve qualquer registro de saída do senador do Brasil pelas vias legais. Na véspera da eleição, seu irmão Eduardo, que também fugiu para os EUA, disse que Flávio deveria ir para os EUA caso perdesse a eleição.
Outras fontes indicaram que ele poderia ter deixado o Brasil pela Venezuela.
Perda da eleição
O senador já vinha sendo investigado e, ainda no parlamento, teria foro privilegiado e as apurações seguiriam no STF. A esperança era vencer a eleição para que as investigações parassem. A Constituição brasileira não permite que presidentes respondam por crimes cometidos fora do mandato. Ao ser derrotado por Lula, após o fim do seu mandato como senador, terá os processos mantidos no STF. Uma decisão da Corte em 2025 estabeleceu que crimes durante o exercício do cargo ou ligados às funções desempenhadas pelas autoridades continuam no STF.