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Manipulação esportiva na Copa do Mundo: embora mínimo, risco deve ser tratado com a máxima seriedade
O iGaming Business buscou entender o quanto a Copa do Mundo pode envolver riscos associados a apostas e a conclusão é que todo o ecossistema está preparado e os riscos são mínimos. Mesmo assim, as empresas de monitoramento estão atentas e contam com inúmeras ferramentas para isso. E em constante colaboração com a FIFA Integrity Task Force, que tem como objetivo proteger a integridade do torneio.
Por ser o evento de maior visibilidade do futebol mundial, é muito mais protegido que outros torneios menores. Mas a atenção para movimentações suspeitas está no cotidiano da área de integridade da FIFA e das empresas de monitoramento.
Os fraudadores buscam vulnerabilidades e um torneio do tamanho da Copa do Mundo, chama a atenção. Pelo volume de apostas, 104 jogos e centenas de mercados oferecidos, o risco é tratado com a máxima seriedade.
União pela integridade
A convergência das empresas de monitoramento, entidades esportivas, operadores regulados, autoridades públicas e forças de investigação é o ponto de partida para minimizar riscos. Além disso, todo o ecossistema envolvido defende uma abordagem que combine educação, monitoramento e cooperação institucional.

“Na minha experiência com integridade esportiva, a prevenção deve começar com educação de atletas, árbitros, comissões técnicas e demais stakeholders acerca dos riscos associados às apostas e a necessidade de se denunciar abordagens indevidas”, diz Tiago Horta Barbosa, Head of Integrity LatAm da Genius Sports.
“Em paralelo, é fundamental haver monitoramento dos mercados de apostas em tempo real, análise de inteligência. E cooperação com entidades esportivas, operadores regulados, autoridades públicas, além de mecanismos claros de escalonamento de alertas”, reforça.
Felippe Marchetti, Diretor de Integridade da Sportradar LatAm, coincide na questão da educação dos envolvidos e na cooperação de entes. Ele lembra que em competições organizadas pela FIFA, “esse trabalho é reforçado pela atuação da Força-Tarefa de Integridade da FIFA. A iniciativa reúne organizações especializadas, como a Sportradar, para compartilhar informações, ampliar a capacidade de monitoramento e fortalecer a resposta a potenciais ameaças”.
Ambos concordam que pelo interesse de indivíduos ou grupos que buscam explorar vulnerabilidades para obter ganhos ilícitos, todo cuidado é pouco. “Na prática, a Copa do Mundo está entre os ambientes mais monitorados do esporte mundial. O elevado nível de atenção de entidades esportivas, operadores de apostas, empresas especializadas em integridade e autoridades públicas cria múltiplas camadas de proteção e reduz significativamente as oportunidades para atividades fraudulentas”, afirma Marchetti.
“A Copa do Mundo é o evento de maior visibilidade do futebol mundial. Justamente por isso, ela tende a ser muito mais protegida, monitorada e exposta ao escrutínio público do que competições menores. Isso, porém não significa que esteja completamente imune ao risco. Manipular um jogo de Copa do Mundo é muito mais difícil do que em partidas em contextos de menor visibilidade, menor estrutura institucional e menor cobertura de integridade”, complementa Tiago.
Ambiente pouco atrativo
“Por sua enorme visibilidade global, a Copa do Mundo não costuma ser considerada um ambiente atrativo para manipuladores de resultados. Em regra, organizações criminosas tendem a concentrar esforços em competições de menor exposição midiática e com menor capacidade de supervisão. Nelas, os controles de integridade costumam ser mais limitados e as chances de detecção são reduzidas”. Essa é a análise de André Megale, Diretor de Governança e Integridade da Sport Inegrity Global Alliance – SIGA Latin America.

“Isso não significa, contudo, que seja possível relaxar os mecanismos de proteção. Os métodos utilizados por fraudadores evoluem constantemente, e novas modalidades de manipulação podem surgir mesmo em competições de grande porte. Por isso, a vigilância permanente e os sistemas de monitoramento devem ser mantidos em níveis máximos durante toda a competição”, adverte Megale.
Resposta precisa ser rápida
A Genius Sports trabalha com uma abordagem baseada em tecnologia, inteligência e cooperação. No contexto da Copa, efetua o monitoramento dos jogos também em razão de sua colaboração com a FIFA.
Esse trabalho envolve o acompanhamento dos mercados globais de apostas, identificação de movimentações anômalas, análise de odds pré-jogo, comportamento de mercados ao vivo e cruzamento de informações com outros elementos de inteligência. “Sempre que um alerta relevante é identificado em competições que monitoramos, ele não é tratado como uma conclusão automática de manipulação. Ele é sim um ponto de partida para uma análise mais ampla em outros níveis por nossos especialistas”, esclarece Tiago.
A partir daí, busca-se entender se aquela movimentação tem explicação legítima, como notícia pública, escalação, lesão, contexto competitivo ou alteração tática, ou se há elementos que indiquem possível risco de integridade. “Em eventos desse porte, a resposta precisa ser rápida, documentada e coordenada. E deve envolver parceiros de monitoramento, entidades esportivas, operadores regulados e, quando necessário, autoridades competentes”, explica o head da Genius.

A Sportradar utiliza uma combinação de inteligência artificial, análise de dados e expertise humana para monitorar mercados de apostas. “Nosso principal sistema de monitoramento, o Universal Fraud Detection System (UFDS), utiliza inteligência artificial e análise de dados para acompanhar mercados de apostas globais em tempo real e identificar padrões que possam indicar possíveis irregularidades”, descreve Marchetti.
“Quando um alerta é gerado, ele não representa automaticamente uma irregularidade. Cada caso passa por uma análise conduzida por especialistas em integridade esportiva, que avaliam o contexto da partida, o comportamento do mercado e outros fatores relevantes antes de qualquer conclusão”, explica.
Padrões de governança, transparência e compliance
A SIGA atua prioritariamente de forma preventiva. “A proteção da integridade esportiva não começa durante a competição, mas muito antes do seu início”, diz Megale. Para a SIGA, o combate à manipulação de resultados passa pela adoção de elevados padrões de governança, transparência e compliance. “Federações, confederações, ligas e entidades organizadoras devem possuir estruturas de governança modernas, áreas de compliance independentes e mecanismos robustos de gestão de riscos e controles internos”, comenta.
Megale lembra que as operadoras precisam contar com infraestrutura tecnológica e sistemas de integridade capazes de identificar padrões suspeitos. Entre eles, volumes atípicos de apostas, comportamentos incompatíveis com o perfil dos apostadores ou movimentações fora dos parâmetros normais do mercado.
“Quando esses elementos preventivos estão adequadamente implementados, o risco de manipulação já se encontra significativamente reduzido. O monitoramento em tempo real das apostas e das partidas passa a funcionar como uma camada adicional de proteção, complementando todo o trabalho de prevenção realizado anteriormente”.
A SIGA acompanha esse processo por meio de seus padrões internacionais de integridade e atuação junto aos associados e parceiros globais. Ela possui um processo próprio de verificação da maturidade em integridade de entidades esportivas e de apostas com a aplicação de Standards Universais desenvolvidos exclusivamente pela SIGA em diversas áreas, como governança e apostas esportivas. Recentemente a entidade lançou a versão traduzida para o português dos Standards Universais em Integridade nas Apostas Esportivas.
“É importante frisar que a SIGA entende que a atuação de entidades de integridade, fundamentais no atual cenário mundial desportivo, não deva se resumir ao monitoramento de apostas esportivas, mas sim ter um alcance holístico para garantir que seus membros efetivamente observem as melhores práticas de integridade em todas as suas atividades e não só na prevenção e tratamento de apostas suspeitas”, reforça Megale.
Orientações aos operadores de apostas
“A segurança durante a Copa do Mundo depende da atuação conjunta de toda a indústria. Para os operadores, é fundamental contar com soluções robustas de gestão de risco, monitoramento de mercado e detecção de atividades suspeitas. Isso permite respostas rápidas diante de qualquer irregularidade”, recomenda Marchetti.
“Para os operadores, é essencial contar com sistemas capazes de identificar movimentações anormais, ajustar exposição a riscos, suspender mercados quando necessário e reportar suspeitas por canais adequados. A Copa envolve grande volume financeiro e enorme diversidade de mercados, inclusive alguns específicos sobre eventos dentro do jogo. Isso exige governança, tecnologia e protocolos claros”, orienta Tiago Horta Barbosa.
“As operadoras devem investir continuamente em sistemas de monitoramento, programas de compliance e mecanismos de detecção de comportamentos suspeitos, capazes de identificar eventuais tentativas de fraude ou manipulação. Do lado da SIGA, haverá atuação conjunta com as operadoras integrantes da SIGA LATIN AMERICA para que qualquer movimentação atípica relacionada aos jogos da Copa do Mundo seja prontamente analisada e tratada”, garante Megale.
Plataformas licenciadas
Os entrevistados foram unânimes em afirmar que para os apostadores, a principal proteção está em apostar apenas em operadores regulados. Eles estão sujeitos a obrigações de integridade, prevenção à lavagem de dinheiro, Jogo Responsável e reporte de suspeitas.
Os apostadores podem confiar que uma operadora é licenciada se ela tiver a extensão .bet.br. Além disso, podem consultar plataformas licenciadas clicando aqui.