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Caixa é pressionada por Lula e só lançará sua bet em 2027

| By Gildo Mazza
Mesmo com as oportunidades da Copa do Mundo, CEF adia lançamento de sua operação de apostas esportivas.

Apesar de já ter pagado a outorga de R$ 30 milhões em agosto de 2025, o lançamento das operações de apostas esportivas por parte da Caixa só acontecerá no próximo ano. Pressionada por Lula, que busca a reeleição criticando o setor, a instituição continua sendo manobrada pelo chefe do Executivo e deixou para 2027 o início das operações. Além da pressão contrária, o banco estatal também vem sendo questionado pelo Tribunal de Contas da União pelo desperdício provocado aos cofres públicos e pela Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot), que quer entrar neste importante mercado.

Desde o pagamento da outorga, a Caixa vinha ensaiando o lançamento de sua bet e o presidente do banco chegou a afirmar que esperava uma arrecadação de R$ 2,5 bilhões em 2026. A ideia inicial era iniciar a operação em novembro do ano passado, mas diante do desgaste do governo com as informações de que as apostas esportivas e jogos online eram culpados pelo endividamento das famílias, a Caixa suspendeu o lançamento.

Em ano de Copa do Mundo, o banco pretendia colocar ao vivo a operação antes do mundial, mas as pressões de Lula e seus aliados continuaram e a Caixa mais uma vez desistiu do lançamento, alegando que “suas decisões estratégicas observam critérios técnicos, legais e de sustentabilidade, sempre em consonância com as diretrizes do governo federal e que analisa constantemente, de forma responsável e alinhada ao ambiente regulatório, as oportunidades de atuação no mercado”.

Queda de arrecadação das loterias

Ainda em 2025 o banco alegou que a arrecadação das loterias caiu 50% depois do início do mercado regulado de apostas esportivas e jogos online. Com isso, o próprio governo perdeu receitas, já que 48% da arrecadação bruta são repassados aos cofres públicos. A operação de sua bet poderia recompor os cofres do banco estatal, mas as pressões políticas foram mais fortes que a estratégia comercial da Caixa.

Como forma de desacreditar o lançamento da bet da Caixa, o próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a afirmar que era “especulação” e “comentários da imprensa” o projeto de criação de uma bet pela Caixa Econômica Federal.

Mas não se tratava de especulação, já que a Caixa se apresentou à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), cumpriu todas as exigências para obtenção da outorga e, aprovada, efetuou o pagamento de R$ 30 milhões pela autorização, que prevê três marcas: BetCaixa, Megabet e XBet Caixa.

Mais do que isso, também assinou, embora negue, contrato com a Playtech, para o fornecimento em regime turnkey de sua premiada da plataforma de apostas.

No ano passado, em reunião para anunciar os resultados da empresa no primeiro semestre de 2025, o CEO da Playtech, Mor Weizer, afirmou que a empresa havia fechado um acordo com um dos principais operadores do Brasil, sem citar nominalmente a Caixa.

Não posso citar ainda, mas estamos em estágio avançado de negociações com o que acreditamos que será um dos maiores operadores do Brasil. Eles têm acesso ao mercado e já estão muito bem estabelecidos. Ainda não atuam em apostas e jogos online, mas representam, sem dúvida, uma oportunidade muito significativa para a Playtech”.

TCU na mira da Caixa

No final de março, o Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou uma apuração sobre a demora da Caixa em lançar sua operação. O ministro do caso, Jhonatan de Jesus indicou que há indícios de desperdício de recursos públicos, tendo em vista que a CEF já pagou a outorga há oito meses e ainda não iniciou a exploração.

A Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot) foi admitida no processo em tramitação no TCU e aponta que a inércia da Caixa no lançamento de sua bet é uma das razões que impedem o aumento das receitas de seus associados (mais de 13 mil lotéricos em todo o Brasil). Segundo a entidade, o prejuízo para seus associados é de R$ 6 milhões por ano em função do não lançamento da operação.

O Tribunal de Contas já alertou que o atraso no início da operação se configura como um desperdício de recursos públicos e infração ao princípio da economicidade.

O ministro Jonathan de Jesus solicitou explicações da Caixa para a não entrada em operação de sua bet. O banco deverá apresentar justificativas técnicas, administrativas e de fato para o não início da operação.

A Caixa deverá apresentar ainda o cronograma para o lançamento, bem como os critérios de compliance, integridade, segurança e Jogo Responsável no modelo de negócios da operação.

Nota da Caixa

Em nota, a Caixa afirmou:

“A CAIXA informa que analisa constantemente, de forma responsável e alinhada ao ambiente regulatório, as oportunidades de atuação no mercado de apostas de quota fixa.

Até o momento, não foram firmados contratos para operacionalização da plataforma, tampouco há qualquer obrigação de pagamento de multas relacionadas ao tema.

A CAIXA reforça que suas decisões estratégicas observam critérios técnicos, legais e de sustentabilidade, sempre em consonância com as diretrizes do Governo Federal.”