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Ministério da Fazenda e CBF unem discurso contra bets ilegais no Brasil

| By Gildo Mazza
Em dois momentos e locais distintos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e a vice-presidente da CBF, Michelle Ramalho, criticaram a presença de plataformas clandestinas no país, concordando com os malefícios dos operadores clandestinos.

É tão explícita a presença de operadores de apostas esportivas e jogos online, que tanto o Ministério da Fazenda quanto a Confederação Brasileira de Futebol mostram-se incomodados. Enquanto o setor regulado tem cerca de 190 plataformas licenciadas, milhares de sites ilegais proliferam pelo Brasil.

Em entrevista à Rádio CBN, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo irá endurecer o combate às bets ilegais. O governo mais alinhado com a regulação vem buscando alternativas para coibir operadores clandestinos. O objetivo é claro. Dar segurança ao mercado regulado e garantir fontes para o caixa do governo.

Desde o início da operação formal, em janeiro de 2025, o Brasil já arrecadou praticamente R$ 15 bilhões. Só que o próprio governo admite a existência de um mercado ilegal que representa metade do negócio. Ao trazer para a legalidade esses operadores, estima-se uma arrecadação anual da ordem de R$ 40 bilhões.

Na entrevista, o ministro Dario Durigan confirmou que o governo estuda forma de combater as bets ilegais. Segundo ele, as apostas clandestinas tiram recursos da economia. Para o titular da Pasta, isso prejudica o desenvolvimento econômico do Brasil.

Vítimas de rótulos errados

Ao participar de seminário em Portugal, a vice-presidente da CBF, Michelle Ramalho, chamou de ignorantes aqueles que falam em acabar com as bets regulamentadas e que o governo deve combater as ilegais.

“Muitos ignorantes falam que as bets [regulamentadas] têm de acabar, mas as bets são tão vítimas quanto as federações”, afirmou de forma contundente a VP da CBF.

Para a dirigente, hoje “não se pode mais falar em futebol sem as bets. Temos de desmistificar esse rótulo que muitos falam como se as bets fossem o autor das manipulações de resultados. Qual é a bet que vai querer que aquele jogo seja manipulado?”, indagou.

Segundo Michelle, as bets licenciadas “são vítimas desses rótulos errados” e que empresas licenciadas “estão fazendo um trabalho muito sério”.

A VP da CBF defende um combate efetivo contra as operadoras ilegais. “É muito importante tipificar as casas de apostas que não estão legalizadas. Não temos uma lei severa para isso. E não é justo com quem está legalizado, fazendo tudo certinho, concorrer com as casas ilegais. O Congresso precisa abrir os olhos para isso”, afirmou.