Ministro de Lula defende fim das apostas esportivas e jogos online no Brasil
Em declaração no programa “Bom Dia, Ministro”, Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, voltou à carga contra as empresas de apostas esportivas e jogos online regulamentadas. Ele afirmou ser contra as bets e defendeu a proibição dos cassinos online. Segundo ele, a atividade prejudica a renda familiar.
Talvez sem conhecer a diferença entre as empresas reguladas e o mercado ilegal, Boulos disse que “Lula tentou uma regulamentação no Congresso, que foi aprovada, mas não resolveu. Várias bets estão envolvidas com lavagem de dinheiro”.
Ao se posicionar contra o mercado regulado e afirmar que a atividade corrói a renda familiar, o ministro não falou nada contra as bets ilegais, colocando todos no mesmo balaio. Ao proibir as empresas reguladas, ele não se dá conta de que os jogadores migrarão justamente para as plataformas ilegais. Estas, sim, estão envolvidas em crimes de lavagem de dinheiro sonegação fiscal e falta de proteção ao apostador.
Ministro não falou em bloquear ilegais
O Brasil tem hoje quase 200 bets reguladas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Enquanto isso, o mercado ilegal tem mais de 15 mil sites ilegais. Desde que o governo, via SPA e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) começou a caçar plataformas clandestinas, mais de 39 mil domínios foram bloqueados.
Em 2025, o governo arrecadou quase R$ 10 bilhões com a regulamentação das apostas e se tivesse condições de trazer o mercado ilegal para a legalidade, esse número mais do que dobraria. O ministro não falou nada no sentido de o governo efetivamente travar as bets ilegais.
Mas frisou criticou as reguladas, afirmando que pagam pouco imposto. “As bets conseguiram fazer um lobby no Congresso para evitar a taxação”, o que nunca aconteceu. As empresas sempre pediram a regulação para ter segurança jurídica e pagar tributos. Boulos continuou: elas pagam 12% de imposto, metade do imposto de renda do trabalhador. Isso é um escândalo”. Talvez a área econômica não tenha dito ao secretário-geral da Presidência que com os demais impostos, a carga tributária total das empresas chega à casa dos 40%.
Discurso eleitoreiro
O ministro está seguindo a cartilha do governo, de escolher um tema eleitoreiro para conquistar votos. O presidente Lula já declarou diversas vezes que as bets deveriam ser proibidas. Seu líder na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, apresentou Projeto de Lei para proibir os cassinos online no Brasil. No projeto, mantém apenas as apostas de quota fixa em eventos esportivos reais.
Outro ministro de Lula, José Guimarães, das Relações Institucionais, disse que o governo ainda não tem uma posição definida sobre a atividade. Ele afirmou que a intenção do governo é acabar com a atividade de vez ou fazer uma regulamentação radical. Guimarães, entretanto, admite dificuldade em acabar com as bets pela força do setor no Congresso.
O PT apresentou também na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei para acabar com o iGaming no Brasil. Com assinatura de 65 deputados do PT, dois do PSOL e um da Rede, a proposta vai de encontro ao discurso eleitoreiro. Este PL veda a exploração, oferta, promoção e facilitação das apostas em todo o Brasil.
A corrente que defende a proibição não tem coragem de pedir o fim das bets ilegais. Elas não pagam impostos, estão envolvidas em crimes e não oferecem qualquer proteção ao jogador. Querem acabar justamente com quem segue todas as diretrizes determinadas pelo próprio governo, que agora quer proibir.