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Lula promete tomar “decisão mais drástica” contra as bets em reunião com religiosos e outros críticos do setor

| By Gildo Mazza
Em campanha pela reeleição, presidente recebeu conservadores e para garantir apoio voltou a criticar as apostas esportivas dizendo que tomará medidas ainda nesta semana.
Lula reunião contra bets

O presidente Lula afirmou nesta terça (1º) que é necessário “tomar uma decisão mais drástica” em relação às bets. Em reunião no Palácio do Planalto com entidades religiosas, setores econômicos e artistas, ele afirmou que queria ouvir o que pensa a sociedade sobre o setor. Só que Lula não reuniu a “sociedade” para saber opiniões sobre o setor. Só ouviu, entretanto, a parcela mais conservadora e indicou que o governo deve decidir sobre medidas para regulação do setor ainda nesta semana. Não recebeu representantes da indústria para conduzir um debate democrático sobre o tema. Nem tampouco profissionais da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), responsável pela regulação do setor no Ministério da Fazenda.

“Nós temos que tomar uma atitude enquanto Estado, se vamos tomar uma decisão drástica ou não. Eu pedi para vocês virem aqui por que queria ouvir o que pensa a sociedade […] Já tem dois terços da decisão tomada. Faltava essa reunião para que a gente possa assinar e tomar essa decisão”, afirmou em seu discurso eleitoreiro.

No encontro, Lula reclamou que medidas adotadas pelo seu governo, como a expansão da isenção do Imposto de Renda e descontos na conta de luz e compra de botijão de gás, não levaram o efeito desejado às finanças da população devido ao endividamento causado pelas bets. Ele sugeriu que até agora as medidas de aumento da tributação e aperto contra o setor não surtiram efeitos.  “Pelo que estou vendo não tem muito como arrumar aqui ou ali”, afirmou.

Presidente fala em “salvar o país”

Estiveram presentes representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, além de organizações ligadas à cultura, à saúde e à proteção de crianças e adolescentes. Também participaram a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio (CNC), Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), Febraban e outras entidades contrárias às bets.

Após manifestações de membros do governo e representantes das organizações contrárias às bets, Lula prometeu decisões duras contra o setor. Ele afirmou que só faltavam as contribuições levadas a ele na reunião de ontem para tomar uma decisão mais efetiva.

Lula falou em “salvar o país” e que “dois terços das decisões contra as bets já estavam tomadas”. Não falou sobre o terço restante aos evangélicos e entidades críticas do setor.

O presidente admitiu ainda a incompetência do governo ao dizer que “proibir 60 mil bets clandestinas não é fácil”.

Chamou a atenção a ausência de representantes da Secretaria de Prêmios e Apostas para mostrar números e dados do setor. Coube à ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentá-los, mas sem qualquer avaliação do contexto do setor na economia.

Por esta razão, “ouvir a sociedade”, como falou Lula, não representou uma audição qualificada sobre as bets. Serviu apenas para o candidato fazer sua campanha eleitoral.

Dados irreais

Entre os absurdos apresentados, informações duvidosas sobre ludopatia e comparação do vício em apostas com o uso de cocaína, desestruturação familiar e endividamento. Não faltaram dados irreais sobre o movimento financeiro das bets. Entre elas uma declaração da CNC de que há uma projeção de movimentação de R$ 1 trilhão em 2026. A CNI e a Febraban não propuseram o fim das bets, mas o endurecimento das regras para que continuem operando.

Em sua campanha eleitoral contra as bets, Lula sabe que o tema é muito delicado. Mesmo tendo dito em diversas oportunidades que por ele as bets seriam extintas, não deixou claro que isso acontecerá. Uma medida como essa colocaria a própria indústria, o mercado publicitário e os clubes de futebol, que dependem do patrocínio das bets, em choque com o governo e com o candidato Lula.

O presidente também pisa em ovos pelo tema financeiro. Em 2025 o Brasil arrecadou quase R$ 10 bilhões com as bets. Apenas nos primeiros sete meses deste ano, entregaram aos cofres públicos R$ 8,7 bi. Além da arrecadação, outra preocupação é jurídico-econômica. As empresas licenciadas pagaram mais de R$ 2,5 bilhões pelas outorgas deste a regulação do setor. Certamente o fim da atividade levaria à judicialização para recuperação dos valores pagos e indenização pelos investimentos feitos. Além disso, a receita das bets já consta da (LOA) – Lei Orçamentária Anual e LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias, que define as prioridades para os gastos da União. Como o governo fará sem essa importante receita?