TVs se mobilizam contra restrições às bets temendo impacto no lucro
A proibição das bets em todo o Brasil caiu como uma bomba entre os diretores das maiores redes de televisão. Há um consenso de que o veto causaria uma hecatombe no caixa de todas as TVs, que já estão administrando a redução do investimento das principais marcas do setor em publicidade. Depois do boom durante a Copa do Mundo, as bets reduziram drasticamente a publicidade em canais lineares no segundo semestre.
Além de representarem uma parcela significativa do faturamento, algumas emissoras são sócias de bets. Globo (BetMGM), SBT (Bet do Milhão) e Band (BandBet) estão atentas a esse movimento do governo.
Segundo o Canal D, no O Dia, as emissoras mobilizaram seus emissários em Brasília para tentar impedir que o veto se concretize. Donos de afiliadas que também são congressistas já foram avisados de que devem trabalhar pela inconstitucionalidade da medida. Isso caso a proibição realmente saia do papel.
As TVs defendem que uma possível proibição das bets feriria o livre-arbítrio da população. “É o mesmo querer proibir facas por conta de uma minoria que esfaqueia pessoas”, defende o executivo de um canal. Para as redes, o veto apenas fortaleceria plataformas que atuam de maneira ilegal, sem efeito prático na saúde pública.
Redução dos investimentos
A média diária de investimento em televisão despencou de R$ 6 milhões para R$ 3 milhões após a Copa, segundo estudo da Tunad. No pico da competição, entre 18 e 24 de junho, a média diária atingiu R$ 7,07 milhões. Na primeira semana completa pós-Copa, entre 20 e 26 de julho, o número caiu para R$ 2,95 milhões.
Agora, com as ameaças do presidente Lula, as TVs vivem essa nova preocupação. Durante os 39 dias da Copa, as bets investiram mais de R$ 230 milhões nas TVs. Nos 39 dias seguintes, os valores caíram para menos de R$ 160 milhões. As redes avaliam que o fim das bets poderá comprometer a receita prevista para o restante de 2026. A proibição dos jogos online nas plataformas das casas de apostas também é uma preocupação. Com a queda das receitas, as bets certamente reformularão suas políticas de publicidade, o que afetaria as campanhas nas TVs.