Estudo aponta que famílias perderam R$ 62,5 bilhões em apostas; Quase R$ 26 bi foram para bets ilegais
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025. Ao mesmo tempo, essas empresas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix. A conclusão é da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. Os números são superiores aos registrados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Segundo o órgão, a receita das bets legais alcançou R$ 36,9 bilhões. Com isso, R$ 25,6 bilhões foram direcionados para sites clandestinos.
O estudo foi elaborado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. Usou dados do Banco Central, das Epae (Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica) e de elaboração própria.
Mercado ilegal
Um estudo da LCA para o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estima que as bets clandestinas representaram entre 41% e 51% do mercado. A diferença entre a estimativa do Comsefaz (R$62,5 bilhões) e da Fazenda (R$36,9 bilhões) é de R$ 25,6 bilhões. Isso equivale a cerca de 41% do total estimado pelo boletim. O percentual coincide com o piso da faixa projetada pela LCA.
Segundo a Folha, o estudo destaca que a regulamentação das bets coincide com uma mudança estrutural nas transferências via Pix de pessoas físicas para pessoas jurídicas do setor de artes, cultura, esporte e recreação.
Os R$ 62,5 bilhões correspondem ao valor líquido da transação (dinheiro apostado menos e o montante devolvido como prêmios). Segundo o boletim, esse valor equivale a aproximadamente 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. Isso indica que o avanço das bets passou a produzir efeitos mensuráveis sobre a dinâmica financeira dos domicílios brasileiros.
Pix
O boletim analisou o impacto das bets no mercado regulado sobre as transações via Pix entre outubro/2024 e março/2026.
Para isso, os pesquisadores estimaram qual seria o volume esperado de transferências de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação caso não tivesse ocorrido a mudança da regulamentação. Depois compararam essa projeção com os valores efetivamente registrados. A diferença entre os dois cenários foi interpretada como o impacto atribuível às bets.
Como se trata de uma simulação estatística, os autores ressaltam que o resultado não representa uma relação de causa e efeito comprovada.
O boletim destaca que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família produziu uma desaceleração do crescimento das transações. Isso aproximou o volume de transferências estimado e o observado.
De acordo com o estudo, o fato de a proibição ter produzido efeito mensurável sobre o volume agregado de transações sugere que as famílias de menor renda têm participação relevante no mercado brasileiro de apostas esportivas online.