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CINDEC inicia ação preventiva sobre publicidade de bets e notifica Neymar, Vini Jr., Galvão Bueno e outras personalidades

| By Gildo Mazza
Recomendação de órgão ligado ao Ministério Público do Espírito Santo reúne dados sobre endividamento, saúde mental e exposição de públicos vulneráveis e propõe maior responsabilidade de celebridades e influenciadores na divulgação do setor.
Neymar Vini Jr. Galvão bets

O Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (CINDEC) iniciou uma atuação preventiva voltada à publicidade de bets e ao papel de celebridades, influenciadores e demais agentes que utilizam sua imagem e credibilidade para promover plataformas. Neymar, Vini Jr., Galvão Bueno, Casimiro Miguel e outras personalidades foram notificadas nesta segunda-feira (14). Também estão na lista Ronaldo Fenômeno, Vanderlei Luxemburgo, Luciano Huck, Adriane Galisteu e Léo Santana.

O CINDEC é formado por representantes do Ministério Público do Espírito Santo, Procon/ES, Polícia Civil, Defensoria Pública e Procuradoria-Geral do Estado.

Como parte da iniciativa, o CINDEC encaminhou recomendação a Neymar, dando ciência formal ao jogador sobre os impactos sociais, econômicos e de saúde pública associados à expansão das bets no Brasil. O documento recomenda a reavaliação criteriosa de contratos de publicidade, promoção, afiliação ou patrocínio mantidos com empresas do setor. Vini Jr., Galvão Bueno, Casimiro Miguel e outras personalidades também foram notificadas.

Discussão sobre o poder da influência

Além de Neymar Jr., estão sendo notificados Vinícius Júnior, Ronaldo Fenômeno, Galvão Bueno, Adriane Galisteu, Léo Santana, Luciano Huck, Vanderlei Luxemburgo e Casimiro Miguel. A iniciativa deverá alcançar ainda outras personalidades e influenciadores que associam sua imagem à publicidade de plataformas de apostas.

A medida integra uma atuação mais ampla. O objetivo é estimular a discussão sobre a responsabilidade de toda a cadeia de influência que contribui para conferir confiança, legitimidade e normalidade social às apostas. Isso ocorre especialmente em um ambiente digital no qual publicidade e recomendação pessoal muitas vezes se confundem.

A atuação tem caráter preventivo e deverá produzir novos desdobramentos, alcançando diferentes perfis e níveis de influência. A preocupação não está restrita às grandes celebridades nacionais. Criadores de conteúdo de alcance regional, local ou voltados a comunidades específicas também estabelecem relações de confiança capazes de influenciar decisões de consumo.

Confiança e responsabilidade

Um dos eixos centrais do documento é o papel exercido pelas personalidades públicas na decisão do consumidor. Pesquisa citada na recomendação aponta que 57% dos consumidores entrevistados declararam ter sido influenciados por celebridades em relação às apostas.

Para o CINDEC, a contratação de uma personalidade não representa apenas aquisição de audiência ou visibilidade. Ao associar sua imagem a uma plataforma, a celebridade também transfere parte da confiança e da credibilidade construídas junto ao público para o serviço anunciado.

Atuação preventiva

A recomendação deixa expresso que não há declaração de ilegalidade de campanhas nem atribuição automática de responsabilidade a Neymar. O objetivo é assegurar que a decisão de associar nome, imagem e reputação ao setor seja tomada com conhecimento dos riscos.

“Esta é, antes de tudo, uma atuação preventiva. Não estamos discutindo apenas quem anuncia uma plataforma. Mas o poder que a confiança e a influência exercem sobre a decisão do consumidor. Nosso objetivo é ampliar a consciência sobre esses riscos e estimular uma publicidade mais responsável antes que seja necessário discutir os danos apenas depois que eles ocorrerem”, destaca a Promotora de Justiça Sandra Lengruber da Silva.

“É fundamental que as celebridades, assim como toda a sociedade, tenham conhecimento dos malefícios que as apostas podem causar. O fato de o jogo ser regulamentado e, portanto, uma atividade lícita, não significa que quem o divulga esteja isento de responsabilidade e, principalmente, de responsabilidade social. Uma celebridade exerce enorme influência sobre milhões de pessoas e precisa fazer uma escolha consciente sobre o uso dessa influência. É preciso refletir se o dinheiro pode estar acima de tudo, inclusive dos impactos que essa publicidade pode provocar na vida das pessoas”, afirma Leonardo Garcia, Procurador do Estado do Espírito Santo.

“O Procon-ES estará atento às campanhas de apostas e à forma como celebridades e influenciadores apresentam esses serviços ao consumidor. Se houver publicidade enganosa ou abusiva, serão adotadas as medidas cabíveis. Nosso papel é prevenir, fiscalizar e proteger o consumidor, especialmente diante de práticas que possam induzir a decisões de consumo sem a adequada percepção dos riscos”, destaca Letícia Coelho, Diretora Geral do Procon ES.