ANJL repudia exclusão do setor de apostas em reunião do Governo Federal
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) manifestou repúdio à postura do governo ao promover uma reunião, nesta terça (1º), para discutir os impactos das bets sem convidar representantes do setor. O encontro foi conduzido por Lula, candidato à reeleição, com a participação de entidades das áreas da saúde, cultura e economia, além de representantes da sociedade civil e organizações religiosas.
Nota de Repúdio – ANJL
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) manifesta repúdio à postura adotada pelo Governo Federal ao promover uma reunião, nesta terça-feira (1º), para discutir os impactos das apostas esportivas online sem convidar representantes do setor regulado. O encontro foi conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a participação de entidades das áreas da saúde, cultura e economia, além de representantes da sociedade civil e organizações religiosas.
A composição da reunião torna a exclusão ainda mais preocupante. Entre os participantes estavam entidades e representantes que já haviam se manifestado publicamente de forma crítica ao setor de apostas e aos seus impactos. Não houve, em contrapartida, a presença de qualquer representante do mercado regulado para apresentar dados, esclarecer informações ou expor a posição de quem está submetido às regras criadas pelo próprio Estado.
Grave comprometimento do caráter democrático do debate
Na prática, portanto, o Governo Federal promoveu um debate sobre um setor inteiro sem ouvir o próprio setor — e, em um ambiente predominantemente composto por vozes críticas às apostas, apresentou-se uma narrativa unilateral sobre seus impactos.
Para o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, a ausência dos representantes do setor configura grave comprometimento do caráter democrático do debate e da própria construção de políticas públicas.
“A entidade entende que qualquer debate sério e responsável sobre os efeitos das plataformas de apostas deve necessariamente incluir a escuta dos agentes regulados, que dispõem de dados, expertise técnica e visão aprofundada sobre o funcionamento do mercado. Excluir esse segmento do diálogo compromete a qualidade, a imparcialidade e a legitimidade das decisões que venham a ser tomadas”, afirma Lemos.
A ANJL ressalta que sempre pautou sua atuação pelo diálogo institucional com o Governo Federal e, especialmente, com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Desde o início do processo de regulamentação, a entidade participou das discussões e contribuiu para o aprimoramento das regras que estruturaram o mercado regulado no país.
Esse processo sempre esteve baseado na premissa de que a regulamentação deveria servir, antes de tudo, à proteção da sociedade e dos consumidores. A ANJL defendeu e continua defendendo mecanismos de prevenção e combate à ludopatia, proteção contra o endividamento, proteção de crianças e adolescentes, publicidade responsável, fiscalização dos operadores e mecanismos efetivos de Jogo Responsável.
São justamente essas obrigações e salvaguardas que diferenciam o mercado regulado do mercado ilegal.
Dados questionáveis
A preocupação da ANJL é ainda maior diante do fato de que a defesa de medidas restritivas ao setor foi acompanhada, durante o encontro, da apresentação de dados e informações sobre os impactos das apostas que não correspondem aos dados oficiais disponíveis. Não é aceitável que uma discussão dessa magnitude seja conduzida a partir de informações questionáveis e sem que aqueles diretamente afetados tenham a oportunidade de apresentar seus dados e argumentos.
Trata-se de um setor submetido a um marco legal aprovado pelo Congresso Nacional após amplo debate público e institucional. Eventuais aperfeiçoamentos na legislação devem ser discutidos democraticamente, com a participação da sociedade, dos órgãos reguladores e dos agentes econômicos envolvidos, e não a partir de debates unilaterais que previamente estabeleçam uma narrativa sobre o setor.
É importante lembrar, ainda, que o mercado regulado de apostas possui relevância econômica e social expressiva. O setor gera centenas de milhares de empregos, movimenta uma ampla cadeia de serviços e investimentos e contribui para o financiamento de diferentes segmentos da economia brasileira, incluindo o esporte, a cultura, as telecomunicações e o setor de televisão e mídia, além de gerar significativa arrecadação para o Estado.
Conhecimento técnico da SPA não foi apresentado
A ausência institucional também chama atenção. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulamentação e fiscalização do setor, não participou da reunião. Trata-se justamente do órgão que detém conhecimento técnico e institucional sobre o funcionamento do mercado regulado e sobre as medidas adotadas para combater operadores ilegais.
Há, portanto, uma contradição que não pode ser ignorada: o Governo Federal afirma querer proteger o consumidor, combater a ludopatia, impedir o endividamento e proteger menores de idade, mas adota uma postura que pode justamente enfraquecer o ambiente regulado no qual essas obrigações existem.
No mercado ilegal, essas proteções simplesmente não existem.
Por isso, enfraquecer o mercado regulado não elimina as apostas. Fortalece a ilegalidade. E, ao deslocar consumidores e recursos para operadores clandestinos, essa postura cria condições para a expansão de um mercado que o próprio Estado deveria estar combatendo, inclusive com o consequente risco de fortalecimento do crime organizado.
A ANJL reitera seu compromisso com o diálogo transparente, técnico e construtivo com o poder público. O debate sobre apostas é legítimo e necessário. A ANJL nunca se furtou a ele — ao contrário, sempre esteve à mesa, dialogando com o Governo Federal e com a SPA para construir uma regulamentação mais responsável e protetiva.
O que não é legítimo é realizar um debate sobre o futuro de um setor legalizado ouvindo apenas aqueles que o criticam e excluindo justamente aqueles que participaram da construção do marco regulatório e que têm a responsabilidade de defender, diariamente, um mercado mais seguro, fiscalizado e responsável. A ANJL vai solicitar ao Governo Federal uma nova reunião para debater com a sociedade e o poder público as questões levantadas na reunião dessa terça-feira.