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Confiança entre localização e jogador é fundamental para o KYC no Brasil, segundo especialistas do setor
A localização e a confiança são componentes necessários para o sucesso do processo de KYC (Conheça o Seu Cliente, na sigla em inglês) no Brasil, concordaram especialistas do setor de jogos na Cúpula do SBC Lisboa, realizado semana passada.
Durante a Cúpula do SBC Lisboa, ocorrida na semana passada, um painel discutiu os desafios de cumprimento das rigorosas regras de KYC, sobretudo no mercado de apostas virtuais recém-regulamentado do Brasil, onde as medidas restritivas prejudicaram o crescimento do operador no lançamento do licenciamento do setor.
O CBO da Esportes Gaming Brasil, Hugo Baungartner, a diretora de compliance da Stake, Barbara Teles, e a conselheira de compliance da Betboom, Beatriz de Souza Morganti, concordaram que os provedores de KYC locais haviam sido a melhor opção para os operadores de apostas no Brasil, muito por conta do aumento da confiança e do entendimento dos jogadores locais.
“Quando soubemos que teríamos de fazer o processo de KYC no Brasil, vi um movimento de empresas internacionais e locais tentando fornecer a solução para os operadores,” declarou Hugo.
“Soube que seria complicado trabalhar com ferramentas que não fossem brasileiras. Na nossa operação, usamos uma solução brasileira terceirizada e, claro, na qual confiamos. Nem todos são de confiança”.
O aspecto da terceirização é fundamental no Brasil
Barbara concorda com a decisão de Hugo, no sentido de optar por uma solução terceirizada, dizendo que um processo de tamanha importância deve ser deixado para especialistas de fora do negócio.
“Estamos na indústria do entretenimento”, explicou Barbara. “Não somos provedores de KYC.
A confiança em provedores de KYC terceirizados, ainda mais no Brasil, é uma solução melhor do que você a oferecer. Ainda não sabemos muito, porque só estamos no mercado regulamentado há seis meses.”
Beatriz compartilha o sentimento: “O nosso principal serviço é a experiência de aposta, é nisso que devemos focar. Delegar a parte difícil e a parte muito técnica parece representar uma solução melhor”.
Educação é importante para que os operadores de jogos tenham sucesso no KYC
Uma das maiores questões dos operadores, sobretudo nos primeiros três meses de regulamentação, foi a confusão entre os clientes sobre a importância do KYC.
Antes de regulamentação, não eram solicitadas muitos dados dos apostadores. Contudo, a partir do dia 1º de janeiro, os jogadores passaram a ter de fornecer dados pessoais extensos, além de reconhecimento facial, para os operadores.
A educação entre os jogadores tem sido fundamental para garantir que compreendam a importância do KYC para a sua proteção.
“Todos nós passamos por isso entre dezembro e janeiro”, continuou Hugo. “Desde o dia 1º de janeiro, eles precisam preencher tudo antes de fazer o primeiro depósito.
É claro que houve dificuldades. Tivemos vários atritos em janeiro. O tráfego de todo mundo caiu. Mês a mês, comunicávamos que eles precisavam preencher 100% do KYC, senão não poderiam criar uma conta”.
A educação é uma via de mão dupla, explicou Beatriz.
“Acho que foi uma boa oportunidade para todos”, declarou ela. “Nesse momento, estamos educando os jogadores, mas ainda sendo educados também, sobretudo a respeito da parte mais difícil para que o cliente faça.
Também precisamos nos educar sobre a facilitação da vida deles. De modo que tem sido desafiador, mas isso é bom porque estão sendo descobertas muitas ferramentas novas”.
Ficar um passo à frente
Conforme o esperado, os operadores tiveram de manter a vigilância para não deixar que os brasileiros desrespeitassem os requisitos de KYC.
“Brasileiro é muito criativo”, adicionou Beatriz. “Os provedores de KYC precisam se antecipar ao que pode acontecer, o que podem fazer para evitar a fraude – por exemplo, uma prova de idade, uma prova de semelhança. Precisamos fazer isso no Brasil”.
Os operadores precisarão ficar um passo à frente de quem busca formas de sobrepassar o KYC, acredita Barbara.
Ela analisou outras localidades para aprender e colaborar sobre KYC, além do vindouro esquema de autoexclusão do Brasil, que deverá estrear até o fim de 2025.
“No Brasil, todo dia se vê um novo desafio a se enfrentar”, concluiu Barbara. “Precisamos ser mais criativos.
Precisarmos ter uma oportunidade de aprender com outros países. Precisamos ter uma oportunidade de desenvolver outras ferramentas e tudo mais.
Se conseguirmos compartilhar dados sobre os jogadores autoexcluídos, podemos juntar todos os atletas que não podem apostar. Se colocarmos essas informações no mesmo banco de dados, todos saem mais seguros”.