Como a tecnologia definirá o boom de apostas na América Latina durante a Copa
Com o começo da Copa do Mundo da FIFA, o maior evento esportivo da Terra retornou ao histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, pela primeira vez em décadas.
Foi lá que o Brasil, guiado pelas pernas de Pelé, ergueu a taça Jules Rimet pela terceira vez em 1970 e que, em 1986, testemunhou o maior triunfo de Diego Maradona e o famoso chute de bicicleta de Manuel Negrete. É por isso que o Estádio Azteca conquistou uma aura de campo quase sagrado do futebol na América Latina.
Em 2026, a abertura do torneiro no Azteca entre México e África do Sul também marca o começo de uma nova era de apostas na região. Pela primeira vez, os apostadores do maior mercado local, o Brasil, poderão fazer apostas legalmente em um jogo da Copa do Mundo, após a abertura do mercado regulamentado do país no começo de 2025. Agora, com a Seleção embarcando rumo à missão de trazer uma sexta taça de Copa do Mundo, milhões de brasileiros se juntarão a apostadores de mercados mais maduros como o México e a Colômbia para torcer pela Verde-Amarela.
Parceiros de peso
Com 48 nações correndo atrás da glória da Copa do Mundo, as operadoras em todo o mercado latino-americano, que se encontra em franca expansão, buscam o diferencial competitivo que farão do Mundial um ano de êxitos. No Brasil, onde bets recém-habilitadas se digladiam para atrair e reter clientes, a concorrência, cada vez mais, conta com o apoio da tecnologia, sofisticação das transações e produtos inovadores, e não apenas nos investimentos em marketing.
Entre os que miram nas vantagens figuram a Superbet, a KTO e a Stake, três grandes operadoras brasileiras que usam tecnologia fornecida pela Kambi, a líder em tecnologia para bets que processa mais de 50% de todas as apostas da região da América Latina. A KTO e a Stake utilizam a solução Casa de Apostas Completa da Kambi. Já a Superbet fez o lançamento recente do produto Odds Feed+, que fornece serviços comerciais e de preços.
Na opinião do diretor de vendas da Kambi na América Latina, Mateo Lenoble, o sucesso no Brasil pertencerá às operadoras que conseguirem combinar tecnologia avançada com um entendimento profundo da cultura local de apostas.
“Um dos pontos interessantes sobre os apostadores brasileiros é que eles se ligam em novidades, aquilo que é novo ou diferente”, disse Mateo. “Há uns anos, era resgate e pagamento antecipado. Agora, vemos que eles adoram o Bet Builder interno da Kambi. Vários tipos de apostas e bônus se popularizaram entre os apostadores brasileiros e, agora, o Bet Builder lhes dá a chance de montar mais apostas interessantes”.
Uma abordagem sob medida
Quem quiser entrar no crescente mercado brasileiro precisa se atentar para a suposta uniformidade na América Latina. Para a Kambi, ainda que o futebol represente quase 90% do volume de apostas no Brasil, outros esportes gozam de uma presença mais forte em outras praças. Os esportes dos EUA têm popularidade no México, além dos países da América Central e Caribe. Embora haja pouca curiosidade pela Major League Baseball no Brasil, ela é particularmente badalada na República Dominicana.
Ainda que o mercado legalizado do Brasil tenha gerado US$ 7 bilhões (R$ 35 milhões) em receita bruta de jogos no primeiro ano de operações, um montante surpreendente, a América Latina tem assentos reservados na primeira fileira do espetáculo. A Kambi construiu sua reputação na região a longo prazo, tendo a parceria com a líder de mercado colombiana BetPlay há mais de uma década. O mais importante é que a Kambi sempre valorizou a localização nos mercados em que opera.
“Não se trata apenas do idioma”, declarou Mateo. “Questões como preço, transações, pagamentos e produtos, pagamentos e ofertas, em geral devem ser adaptadas a esse mercado específico. As empresas que atuam em vários mercados também devem respeitar a compliance regulatória.
A importância do Brasil e do México se dá pela magnitude e cultura de apostas, mas a Colômbia oferece um mercado importantíssimo para nós. Trabalhamos com as maiores operadoras de lá, então nossa meta é permanecer no alto do pódio”.
Tecnologia como diferencial
É fundamental oferecer o melhor produto ao mercado. No Brasil, cada vez mais isso implica implementar uma tecnologia capaz de corresponder às soluções avançadas utilizadas pelos líderes de mercado. Algumas operadoras tentaram entrar no mercado com a ideia equivocada de que bastaria um forte reconhecimento da marca ou investimento em marketing. Enfrentaram dificuldades em um cenário em que os apostadores esperam produtos sofisticados e preços altamente competitivos.
“Você só vai conseguir sucesso nesse ramo se tiver a tecnologia e o produto”, afirma Mateo. “Houve quem tentasse tratar como se fosse um cassino, em que você lança o site e só vê a receita entrar. Isso não vale. A indústria de bets esportivas é muito específica e as operadoras precisam acompanhar as tendências ou terceirizar para especialistas”.
Flexibilidade
Para Mateo, só agora muitas operadoras se dão conta da importância da flexibilidade dos negócios para o lucro a longo prazo.
“Converso com operadoras que nem sequer conseguem mudar as odds por conta própria”, afirma. “Elas não têm essa flexibilidade porque usam uma tecnologia terceirizada que não disponibiliza o recurso. Conseguir o ajuste dinâmico das odds e das margens é crucial para a operadora de bets”.
A Kambi alcançará um marco tecnológico no meio do ano com a implementação das transações de apostas esportivas totalmente baseadas em IA para a Copa do Mundo. Mas a IA já representa mais de 60% de toda as transações em sua rede global. Para a Kambi, a IA possibilita oferecer preços mais precisos, transações mais ágeis e margens de lucro mais sólidas a longo prazo para as operadoras em mercados cada vez mais competitivos.
“A vantagem é que, com a IA, estamos oferecendo preços mais precisos e apostas mais precisas”, disse Mateo. “A IA atinge aquele ponto ideal entre ser lucrativa e ser atraente para o apostador. Esse serviço aprimorado, portanto, tem um impacto direto na margem”.
Apostas crescendo a longo prazo
Olhando para o horizonte, a Kambi vê um futuro promissor para o Brasil e para toda a região. Com sua posição dominante como fornecedora de tecnologia, a empresa acompanha de perto as mudanças regulatórias e as tendências gerais do mercado. Os primeiros sucessos no Brasil foram recebidos com críticas por parte daqueles que temem que o forte crescimento da receita seja um sinal de agravamento do problema do jogo. De fato, o presidente Lula pediu a proibição das bets recentemente.
Acontece que, para Mateo, qualquer resposta no nível regulatório não passará de um ajuste das regras válidas, como o já anunciado aumento do imposto sobre as bets de 12% para 15%.
“Não vejo que vá haver uma grande mudança no Brasil”, disse ele. “As regulamentações para o mercado legalizado já estão em vigor há alguns anos e acho que as apostas vieram para ficar. Pode haver algumas restrições a mais, mas o setor está muito estável. Na Colômbia também houve alguns ajustes, mas, como país, eles entendem que devem proteger o setor”.
Essa confiança é reforçada pelo potencial ainda inexplorado do setor de bets no Brasil. Enquanto operadoras em outros países da América Latina estão gerando margens nas apostas esportivas de cerca de 13%, algumas operadoras brasileiras ainda alcançam apenas 6% a 7%. Isso ressalta o quanto ainda há de espaço para otimização à medida que o mercado amadurece e a tecnologia se torna cada vez mais importante para o sucesso competitivo.